Kutuzov, o primeiro bielorrusso em Portugal: «Os nossos jovens não têm oportunidade de seguir grande jogos»

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06-08-2026 09:15

O sorteio da 3ª pré-eliminatória da {COMPETITION_LINK|5932|Conference League} ditou que o {TEAM_LINK|15|SC Braga} defrontasse o {TEAM_LINK|1035|Dinamo Minsk}, equipa bielorrussa que foi segunda classificada no campeonato daquele país na temporada transata. Esta é a primeira vez que o {TEAM_LINK|15|SC Braga} irá defrontar uma equipa da Bielorrússia, país sem grande expressão no futebol europeu e que se encontra na 97ª posição do ranking da FIFA. Para perceber melhor o fenómeno do futebol deste país de leste, o zerozero conversou com {PLAYER_LINK|302|Vitali Kutuzov}, o primeiro bielorrusso a jogar no futebol português - ao serviço do {TEAM_LINK|16|Sporting} CP, em 2002/03. O retrato do futebol bielorrusso por quem melhor o conhece A última vez que equipas portuguesas e bielorrussas se defrontaram foi em 2014, em dose dupla: o FC Porto encontrou o BATE Borisov na fase de grupos da Liga dos Campeões, enquanto o Nacional da Madeira ficou arredado das competições europeias por conta de uma eliminação aos pés deste Dinamo Minsk, no playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa. Em anos anteriores, também Sporting CP - Dinamo Minsk, em 1984 -, Marítimo - BATE Borisov, em 2010 - e SL Benfica - BATE Borisov, em 2009 - defrontaram equipas do país do leste da Europa. Contudo, o paradigma dos dias de hoje é bem diferente dos anos dourados do futebol do país. Apesar de não terem sido excluídos das competições europeias, ao contrário dos clubes russos, os clubes bielorrussos perderam capacidade financeira e, consequentemente, capacidade para atrair talento além fronteiras. Assim sendo, o futebol começou a perder interesse dentro das próprias fronteiras. {IMGMED|DIR|1528710|Kutuzov foi internacional} «A situação da Bielorrússia é muito particular. Devido às restrições existentes, não podemos disputar os jogos em casa e somos obrigados a jogar em campos neutros, noutros países. Isso dificulta a popularização do futebol entre as gerações mais jovens», começou nos por dizer o antigo avançado do Sporting, indo mais longe: «Os jovens têm poucas oportunidades para acompanhar grandes jogos, como os da UEFA, e isso também contribuiu para a perda de posições no ranking da UEFA  Ainda assim, há trabalho a fazer. Já tivemos tempos melhores, mas olhamos para o futuro com otimismo. Acreditamos que as coisas podem mudar, que surgirão novos jogadores, novas gerações e que, tanto a seleção como os clubes, poderão evoluir.» {PLAYER_LINK|302|Kutuzov}. Uma das grandes esperanças da nova geração do futebol bielorrusso joga, curiosamente, em Portugal: {PLAYER_LINK|1034580|Trofim Melnichenko}. Formado no Dinamo Minsk, o avançado de 19 anos representou o FC Porto B nas últimas duas temporadas e já leva dez internacionalizações pela seleção A, tendo marcado dois golos. {PLAYER_LINK|787715|Uladzislau Marozau} - avançado do FC Arouca -, {PLAYER_LINK|1237464|Léo Mascaró} - central recentemente contratado pela US Leiria - e {PLAYER_LINK|799993|Viktoryia Valiuk} - jogadora do Vitória SC feminino - são internacionais bielorrussos que jogam no futebol português. {IMGFULL|DIR|1528708|} «Dínamo Minsk é uma equipa difícil de ultrapassar» Vitali Kutuzov traçou o perfil do adversário do SC {TEAM_LINK|15|Braga}, Dinamo Minsk, classificando a equipa como «difícil de bater» «O Dínamo Minsk é uma equipa que tem dominado o futebol bielorrusso nos últimos anos. Na época passada não conseguiu conquistar o campeonato, depois de o ter vencido em duas temporadas consecutivas. Este ano estão novamente a lutar pelo título», começou por dizer. «É uma equipa composta maioritariamente por jogadores jovens, complementados por alguns atletas experientes. Na minha opinião, é uma formação muito organizada defensivamente, forte na defesa e difícil de ultrapassar», acrescentou o bielorrusso sobre o adversário do SC Braga. «Ainda assim, considero que o nível competitivo é inferior ao do campeonato português. Será um desafio muito complicado, estamos a falar de duas realidades bastante diferentes. No entanto, no futebol, as surpresas podem sempre acontecer.», finalizou neste capítulo. Depois de ter conquistado o bicampeonato a equipa da capital foi superada pelo {TEAM_LINK|252864|Maxline Vitebsk}, equipa de Rogachev, em Gomel - cidade mais perto da fronteira com a Rússia e a Ucrânia. O BATE Borisov, equipa que foi 13 vezes consecutivas campeã nacional - de 2006 a 2018 -, encontra-se neste momento em zona de despromoção, quando já foi disputada toda a primeira volta do campeonato. {IMGFULL|DIR|1528711|} «O meu primeiro filho nasceu em Portugal» Apesar da passagem curta por Portugal - apenas de uma temporada -, Kutuzov tem uma relação especial com o país: «Foi um ano muito importante para mim. Tive a oportunidade de jogar, de conhecer grandes jogadores e de viver uma experiência muito marcante. Além disso, o meu primeiro filho nasceu em Portugal, por isso existe também essa ligação muito especial ao país.» O ano no Sporting não foi perfeito. Os leões acabaram na terceira posição, embora tenham vencido a Supertaça - com golo de Kutuzov, na estreia como titular. O bielorrusso, que jogou em Alvalade emprestado pelo {TEAM_LINK|66|AC Milan}, disputou 31 jogos, tenho balançado as redes adversárias em oito ocasiões. «Apesar das dificuldades, porque era uma realidade nova, uma língua nova e uma cultura diferente, guardo excelentes recordações. Ficaram muitos amigos no Sporting. Tenho alguma pena pelos resultados, porque acredito que poderíamos ter feito um pouco melhor. No entanto, olhando hoje para aquilo que o FC Porto e {COACH_LINK|2|José Mourinho} alcançaram, culminando na conquista da Liga dos Campeões, percebemos que era uma equipa muito forte», disse o avançado. «Tivemos algumas dificuldades. {PLAYER_LINK|1293|Mário Jardel} chegou mais tarde e faltava-nos uma verdadeira referência na frente de ataque. Na minha opinião, era uma equipa que atravessava um período de mudança. Eu próprio ainda era muito jovem e talvez ainda não tivesse atingido a maturidade que mais tarde me permitiu alcançar o sucesso. Era um balneário cheio de grandes jogadores como {PLAYER_LINK|771|Quaresma}, {PLAYER_LINK|1579|Cristiano Ronaldo}, {PLAYER_LINK|288|Pedro Barbosa}, {PLAYER_LINK|285|Rui Jorge} e {PLAYER_LINK|299|João Vieira Pinto}. Eram atletas que eu admirava desde a infância e com quem sonhava um dia jogar», sublinhou também. {IMGMED|DIR|1528709|Kutuzov diante do SC Braga, pelo Parma} Sobre Cristiano Ronaldo, Kutuzov recordou uma história curiosa: «Lembro-me de quando o Cristiano Ronaldo comprou o seu primeiro carro, ainda nem carta tinha. Penso que era um Mercedes Coupé. Recordo-me da felicidade dele e da satisfação que sentia por ter alcançado esse objetivo. Fiquei muito feliz por poder partilhar esse momento com ele. É isso que torna o futebol bonito: estes momentos de felicidade vividos em conjunto.» Um dos oito golos do bielorrusso foi ao SC Braga. O avançado não se recordava do golo, até rever o vídeo enviado pelo zerozero. Porém, Vitali recordava-se de outro jogo diante dos arsenalistas: pelo Parma, para a Taça UEFA. «Não me lembrava dessa partida em concreto. Só depois de voltar a ver o golo é que me surgiram algumas memórias e comecei a recordar esse jogo. Lembro-me também de uma eliminatória frente ao Braga, quando representava o {TEAM_LINK|68|Parma}, na Taça UEFA. Se não estou em erro, já com {COACH_LINK|116|Claudio Ranieri} como treinador. O Parma atravessava dificuldades na Serie A e caímos na Taça UEFA com o SC Braga», rematou. Conseguirá o conjunto de Carlos Vicens repetir o feito da equipa de Jorge Costa, mas agora frente ao Dinamo Minsk? O início do encontro está agendado para as 19h30 desta quinta-feira.