Dos antigos jogadores e chefes de claque às famílias dos craques: o zerozero em Sevilha em dia de jogo
/ Futebol
18-04-2026 11:00
O zerozero esteve em Sevilha a acompanhar a noite memorável do {TEAM_LINK|15|SC Braga} no {STADIUM_LINK|796|Estadio de La Cartuja}. Os arsenalistas venceram em solo espanhol (2-4) e avançaram para as meias finais da {COMPETITION_LINK|28|Liga Europa}, feito que nenhuma equipa portuguesa havia conseguido nos últimos dez anos. O que se passou na capital da Andaluzia entre as 21:00h e as 23:00h locais foi épico, mas o resto do dia também foi especial. Andámos pela cidade, conhecemos histórias, sentimos o grande ambiente proporcionado pelos braguistas e decidimos compilar tudo numa reportagem especial sobre um dia, também ele, especial. Campeão nacional pelo SC Braga? Check Apesar do cansaço, natural depois de um dia de muito trabalho - seis horas de viagem e uma tarde/noite passada no La Cartuja com o nosso amigo Manolo -, este que vos escreve decidiu acordar cedo para tentar conhecer um pouco da cidade, onde nunca havia estado. {IMGMED|DIR|1474745|A corrida por Sevilha} Qual a melhor maneira de conhecer a cidade com pouco tempo disponível? Uma corrida, pois claro. Cinco quilómetros e meio num ritmo que permitisse absorver um pouco da cultura sevilhana. O foco ia alternando entre as ruas - apertadas e repletas - de Sevilha e o vestuário de quem por mim passava, com o objetivo de encontrar, desde já, alguém com trajes vermelhos e brancos. Missão falhada, apenas três equipamentos rojiblancos do {TEAM_LINK|53|Sevilla FC}. Uma visita às famosas Setas de Sevilha, já em preparações para a fanzone da final da Taça do Rei deste sábado, entre Real Socieadad e Atlético de Madrid, e regresso ao local onde estávamos hospedados, bem perto do La Cartuja. Banho tomado, reportagens do dia anterior terminadas e tudo pronto para ir em direção à Alameda de Hércules, local marcado para a concentração dos adeptos do SC Braga. À saída do hotel, avistámos as primeiras camisolas dos Gverreiros do Minho. Aproximamo-nos e perguntámos se precisavam de ajuda (como se conseguíssemos ajudar em algo, não é verdade?). Três amigos, na casa dos 60 anos, devidamente equipado. Conversa puxa conversa, revelamo-nos jornalistas do zerozero e um deles diz, cheio de orgulho: ‘Eu estou lá no zerozero, fui campeão nacional pelo SC Braga’, ao passo que mostra o seu boné onde está inscrito «Campeão Nacional de Juniores 1976/77». Abrimos o nosso motor de pesquisa favorito e lá estava ele: Domingos Peixoto Gomes, conhecido como {PLAYER_LINK|247588|Perrichon}. {EPOCA|DIR|JOG|247588|0|999999|0|0|1} Jogou na formação do SC Braga, passou por Vizela, Fafe e Gil Vicente. Inclusive, ao serviço do FC Vizela, jogou no primeiro escalão e, nessa temporada, até marcou ao SL Benfica. Juntamente com os dois amigos - um antigo árbitro e outro que também jogou na terceira divisão -, veio de autocarro. Uma viagem dura, de muitas horas e barulho. Já não é a primeira viagem que fazem, visto que em 2022 já se haviam juntado para ir a Madrid ver o SC Braga ao Santiago Bernabeu. Um quarto de hora de boa conversa, trocámos contactos e seguimos para o meeting point. {IMGFULL|DIR|1474744|O grupo das Urgências do Hospital de Braga} «Gasto cerca de quatro mil euros por época com o SC Braga» Pelas 14:00h, e depois de uma caminhada de cerca de 20 minutos, chegámos ao local de encontro dos braguistas em Sevilha. A Alameda de Hércules em modo Sé de Braga, pintada de vermelho e branco e com um belíssimo ambiente. Uma mesa na esplanada de um bar e uma caña a acompanhar - tudo para nos enturmarmos com as gentes que por ali se encontravam. Na mesa ao lado, um grupo pareceu simpático, começou a conversa e rapidamente nos transladámos para a sua mesa. Marcos, Fábio, Rui e Xana: todos eles colegas de trabalho nas Urgências do Hospital de Braga. ????????????? Festa arsenalista em Sevilha: o impressionante cortejo dos adeptos do SC Braga pic.twitter.com/bKozt3UStU — ZEROZERO (@zerozeropt) April 16, 2026 Muito divertidos, conversámos cerca de uma hora e meia. Os temas, esses, foram variando. A atualidade do SC Braga, as suas deslocações ao estrangeiro para apoiar o clube, a ligação a claques e… o escutismo (calma, já lá vamos). Marcos e Fábio foram membros fundadores dos Red Boys em 1992, sendo que o primeiro até foi líder da claque durante três anos. Fábio - sócio do SC Braga há 48 anos - ainda fez parte da Juventude Bracarense, a primeira claque organizada do clube, que nasceu em 1981. Marcos nasceu no Brasil, mas chegou a Portugal com oito anos. Cresceu na Sé de Braga e é sócio do clube há 36 anos. «Tenho um orgulho enorme em ser da Sé, somos os filhos da Catedral, poucos podem dizer isso hoje em dia». A vida mudou e a forma de apoiar o clube também. Marcos assumiu que desde que foi pai pela primeira vez, há quase 18 anos, começou a ver as coisas de uma forma diferente. «Não me orgulho de coisas que fiz, agora tenho de ser um orgulho para as minhas filhas», confessou-nos. «Gasto cerca de quatro mil euros por época com o SC Braga. Quotas, três lugares anuais - o seu e o das duas filhas -, deslocações para jogos fora…», continuou, lamentando que não haja grande reconhecimento por parte do clube. Ah, o escutismo! Além do SC Braga, Marcos tem outro hobbie que considera uma paixão: o Agrupamento de Escuteiros 1: Sé Braga, o local onde nasceu o escutismo em Portugal. Chefe Marcos é o responsável pelos Lobitos e a felicidade ao falar do seu agrupamento foi evidente. Por fim, presenteou-nos com um emblema do seu agrupamento. Obrigado amigos, proporcionaram-nos um bom momento e regalaram-nos com grandes histórias. Cortejo com dois presidentes e um pai especial Aproximavam-se as 18:00h, hora estipulada para a saída do cortejo em direção ao La Cartuja. A praça ia enchendo, os cânticos aumentando de tom e a temperatura, já elevada, parecia aumentar com o nervosismo pré jogo. Imbuídos no ambiente festivo, decidímos fazer o cortejo com a onda vermelha e branca que coloriu Sevilha. Com câmaras na mão e mochilas às costas, facilmente se entendia que não seríamos comuns adeptos naquele meio. Recebemos algumas abordagens ao longo de todo o trajeto e uma coisa ficou bem patente: há muito boa gente a gostar do zerozero em Braga. {IMGFULL|DIR|1474742|Carlos Soares e Francisco Mendes a caminho do estádio} O ambiente já foi retratado em vídeo nos vários meios do nosso portal ao longo da tarde de quinta-feira. Por essa razão, vamos apenas relatar algumas interações curiosas nesse momento. A primeira foi com Carlos Soares e Francisco Mendes. Conhecidos deste que vos escreve de outros carnavais, o encontro não foi combinado. Em Espanha para apoiar o Braga, mas em Portugal são presidentes de clubes… de Guimarães. Carlos preside o Clube Operário de Campelos, Francisco o GD Santo Estevão - leva inclusive a camisola do clube vestida. Os dois estão acompanhados por um terceiro elemento: Ronaldo Rodrigues, pai de Diego Rodrigues, jogador do SC Braga e diretor desportivo do GD Santo Estevão. Ronaldo lamentou não poder ver o filho em ação, pois Diego falhou o jogo por lesão sofrida na primeira mão. Tudo animado, bom convívio e chegada ao estádio por volta das 19:40h locais. Um `sevilhano português´ e as famílias dos protagonistas Recolhida a devida acreditação, dirigímo-nos à zona destinada aos jornalista. Uma escadaria interminável depois - dolorosa para quem já contava com quase 20 quilómetros percorridos a pé nesse dia, pelo menos segundo o relógio inteligente -, estávamos instalados no La Cartuja. Estádio imponente, com capacidade para 70 mil pessoas. Ao nosso lado, um nuestro hermano com um grande fascínio por Portugal: José Maria Nolé. Escritor, psicólogo e criador - há mais de 10 anos - do blog Fútbol Português desde España. Ao ver o microfone com o logotipo do nosso portal, abordou imediatamente. «Entro no zerozero mais de 100 vezes todos os dias, é fantástico.» Sevilhano de gema, Nolé revelou que faz 50 anos no próximo ano e tem o objetivo de comemorar esse aniversário com uma mudança gigante na sua vida: ir viver para Portugal. Da zona de imprensa avistámos também duas camisolas com o nome de {PLAYER_LINK|702563|Lukas Hornicek} nas costas. A curiosidade obrigou-nos a ir falar com os dois indivíduos, claramente com ar de não serem portugueses. Apesar do inglês não ser o melhor, conseguímos perceber que se tratava do padrasto do guardião bracarense e de um amigo, que se deslocaram desde a República Checa até ao sul de Espanha apenas com o propósito de apoiar o SC Braga. A conversa não evoluiu muito, pois o inglês dos checos não o permitiu. Percebemos que estavam maravilhados com o ambiente e fizeram questão de dizer que gostavam de falar ao nosso portal, mas a dificuldade de comunicação não o permitiu. Do jogo não há muito mais a dizer - tudo já foi dissecado na crónica e análise disponíveis no site. Apenas referir a loucura dos jornalistas espanhóis, que faziam questão de demonstrar o seu descontentamento através de muitos pontapés na parte da frente das mesas de trabalho. Conferência de imprensa e zona mista terminadas, regressámos ao nosso alojamento, com uma boleia preciosa da equipa de reportagem TVI/CNN. Já no hotel, enquanto trabalhávamos na zona comum, encontrámos dois jovens com trajes braguistas, que resultou em mais uma conversa. Ambos descreveram este jogo como o melhor das suas vidas e Rodrigo, de 20 anos, revelou que é irmão de {PLAYER_LINK|167098|Tiago Sá} - guardião do SC Braga. O dia terminou pelas quatro da manhã, tal qual como começou, com cansaço mas com sentimento de dever cumprido. Uma coisa é certa: quem viveu o dia 16 de abril no La Cartuja jamais irá esquecer a experiência. Provavelmente, o melhor away da história do SC Braga e o zerozero esteve lá.
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