O crescimento de Gil e <i>Fama</i> aos olhos do <i>padrinho</i> de Drulovic: «Valoriza a competitividade da I Liga»

/ Futebol

13-03-2026 11:52

Minho, uma das regiões de maior destaque no âmbito nacional a vários níveis. O desenvolvimento económico e cultural da região, alavancado pela reconhecida industria têxtil, produções agrícolas minifundiárias ou pela rica gastronomia, encontra paralelo no futebol. Aos dois gigantes da região - SC Braga e {TEAM_LINK|18|Vitória SC} -, a presente edição da {EDITION_LINK|201241|Liga Portugal Betclic} acrescenta outros atores improváveis na equação: {TEAM_LINK|11|Gil Vicente} e {TEAM_LINK|2175|Famalicão}, vizinhos e mais fortes candidatos a uma luta europeia pelo quinto lugar - e, talvez, até pelo quarto, quem sabe? Três emblemas que se destacam dos demais nesta liga minhota liderada pelos arsenalistas. Convém não esquecer o Moreirense - atual sétimo classificado - e os vitorianos,  atuais detentores da Taça da Liga, que surgem dois postos abaixo neste concurso regional por uma representação internacional. Tendo em conta o contexto e os ingredientes apurados pelos três clubes mais bem posicionados, alguém mais habilitado do que Cacioli parece não existir. O genial esquerdino sentiu na pele o que é vestir essas três camisolas, tendo ajudado ao crescimento mais acentuado destas instituições, sobretudo Famalicão e Gil Vicente. «SC Braga é uma potência em Portugal e na Europa» Rápido a revelar o «carinho especial» que nutre pelo clube famalicense que já o distinguiu como «um dos melhores jogadores da história» na gala dos 80 anos, o antigo médio recordou os tempos do «Lombardo de Barcelos», alcunha ganha durante a impactante passagem pelos galos, à qual não é alheia a escassez capilar semelhante à do veloz italiano.  «Na primeira viagem para Barcelos, passei pela ponte romana da cidade e pensei 'Vai ser aqui que vou ficar'.» {IMGHALF|ESQ|1443266|SC Braga procura assegurar o quarto lugar e chegar longe na Liga Europa} Do SC Braga guarda 20 jogos, um golo e uma passagem «tumultuada», graduação suficiente para reconhecer a expansão de um emblema «já com um certo estatuto» na altura e capaz de a lutar por «muito mais» no presente.  «Hoje em dia, o SC Braga é uma potência, não só em Portugal, mas no futebol europeu», destacou: «Acredito que o SC Braga vai sofrer, porque tanto o Gil como o Famalicão estão no encalço. O Braga tem uma equipa consistente, mas bastam dois jogos sem vencer para que as outras se colem logo.» «Vemos um Gil Vicente diferente... Quem conhecia o Lino?» Reservas à parte, Cacioli deixou para último a confiança num conjunto arsenalista mais batido do que a concorrência. Estaleca que, tal como tem vindo a ser provado nas provas europeias, pode fazer os pupilos de Carlos Vicens chegar longe nas provas da UEFA: «Começaram a trabalhar muito mais cedo e acredito que, depois dos acertos que o Vicens fez, a equipa tem vindo a crescer e a fazer bons jogos, bons resultados, sem esquecer a Liga Europa, onde podem chegar longe.» Apologista de uma luta a três pelo quarto lugar, sem esquecer a corrida por um quinto lugar que «só valoriza a competitividade da liga portuguesa», o antigo jogador, hoje em dia a chefiar parte de uma empresa de catering, frisou o trabalho desenvolvido nas outras duas cidades do distrito. «Que outros clubes tenham o mesmo pensamento que Gil e Famalicão. Antes só se falava nos três grandes. Hoje em dia, já se ouve falar de SC Braga, Vitória SC e agora Gil e Famalicão», introduziu acerca dos antigos clubes. {IMGHALF|DIR|1430205|Duelo da primeira volta entre Gil e Famalicão terminou com goleada gilista} E não é ao acaso. Ciente da realidade bem diferente daquela que encontrou nas primeiras presenças das equipas na I Divisão, Cacioli não se ficou pelo desejo, denotando conhecimento de causa sobre o crescimento abordado: «Após a passagem do Fiúza, o Gil atravessou um período difícil e, nesse sentido, o regresso do presidente Francisco Dias da Silva mudou o panorama. Agora com o filho, Rui Silva, foi um vira completo. É um grande empresário e, a título de exemplo, o seu grupo empresarial - Vincenti Capital Partners - acabou de comprar a Lacatoni.» «O trabalho que está a ser feito, não só a nível desportivo, mas principalmente a nível económico, é a pensar no futuro. Hoje em dia, vemos um Gil Vicente completamente diferente com a dinâmica que impõe a nível de marketing. Além disso, tem investido na formação, apesar de não ter títulos conquistados.» «No futebol sénior, o Gil tem sabido contratar jogadores. Quem é que conhecia o Samuel Lino? O Andrew foi aposta. Hoje, é guarda-redes do Flamengo e internacional sub-23 pelo Brasil... O Pablo, curiosamente, contratado ao Famalicão, foi valorizado e transferido para o West Ham. Tudo indicadores do grande crescimento que o clube tem conseguido.» Famalicão também sabe «pensar à frente»  Uma das poucas equipas sem SAD formada, o emblema de Barcelos encontrou a companhia do Fama nesta escalada de protagonismo da gama média das equipas do futebol luso. Com sociedade de capital estrangeiro alavancado pela Quantum Pacific, o conjunto atualmente orientado por Hugo Oliveira vai beneficiando dos frutos do planeamento iniciado em 2018. «Quem investe com uma SAD também está a pensar à frente. É fundamental ter uma base desde o futebol feminino às camadas jovens, onde o Famalicão conseguiu melhorar bastante com a disputa de títulos, entre eles, aquele campeonato de sub-19 que conquistaram», sustentou. {IMGHALF|ESQ|1452345|Golo de Rodrigo Pinheiro deixou o Famalicão a dois pontos do quinto lugar pertencente ao Gil Vicente} Argumentos importantes, na ótica de Cacioli, para a subida de nível que o campeonato português tem conseguido e não só. Para o antigo jogador brasileiro, estes dois novos candidatos às provas europeias começam a reunir condições capazes de garantir imunidade a uma eventual descida no ano seguinte ao da qualificação para as competições internacionais. Algo frequente de se ver por paragens lusitanas. «Ao longo dos anos, vimos clubes sem condições para competir em várias frentes, com um plantel estruturado para aguentar as dificuldades. O Gil já esteve na Conference League [qualificação], mas, se se qualificar, vai ajudar à consolidação. A manutenção que têm conseguido de grande parte do plantel, tal como no caso do Famalicão, a isso ajuda.» Dentro do mesmo âmbito, a recruta de jogadores com experiências noutras latitudes - como Gil Dias ou Héctor Hernández - foi outra das explicações encontradas para enfatizar a competência de todos os envolvidos. «O golpe de mercado é fundamental. O equilíbrio entre jogadores jovens e experientes revela a importância da observação e do scouting... Contratar jogadores que, se calhar, noutras equipas não têm aquela fama toda, nem o espaço desejado, mas que são cheios de qualidade para fazer a diferença neste contexto», identificou ainda. «Apostava com o Drulovic qual de nós acertava nos painéis» Antes de concluído o diálogo com o nosso portal, instigámos o antigo jogador brasileiro a recordar alguns momentos marcantes da carreira. Em revista pelo seu percurso - também passou por Vizela, Varzim e Farense -, Cacioli deslacou algumas memórias dignas de alguém mitificado com o cognome de um dos protagonistas da pujante Sampdoria dos anos 90. «Assinei com o SC Braga por dois anos e, depois de uma época difícil, queriam mandar-me para o Leixões, mas eu não quis ir. Não ia ter muitos minutos na Cidade dos Arcebispos e acabou por surgir o Gil», revelou: «Já estava a treinar há uma semana, até que o clube recebeu um comunicado: o Braga queria utilizar-me como moeda de troca para abater o dinheiro que teriam de pagar pelo Zé Nuno.» {IMGHALF|DIR|1455848|Cacioli em ação pelo Gil diante do Sporting} «A direção do Gil chamou-me e cheguei à conclusão que ainda tinha contrato. Disse-lhes que ia resolver tudo e fui a Braga falar com o Oliveira, então diretor do clube. Acabei por resolver tudo depois de um pequeno desentendimento», acrescentou.  Pleno da vida para prosseguir carreira em Barcelos, Cacioli tornou-se «muleta» de Drulovic pela forma como se entendia de olhos fechados com o craque sérvio. Uma relação iniciada fora das quatro linhas, capaz de atestar a capacidade integradora de um jogador que, ao longo das décadas, passou a ser muito mais que isso para a comunidade local. «No início dele aqui, morávamos perto. Íamos e vínhamos do campo a pé. Tentávamos conversar, mas era difícil: ele só falava jugoslavo e eu, pronto, desenrascava-me no inglês. Conversávamos por mímica.» «Acabava o treino e ficávamos a apostar qual de nós acertava com a bola nos vários painéis publicitários do estádio. Fazíamos passes de 30 metros até acertar neles, se ela ficasse a mais de um metro do alvo, tínhamos de pagar qualquer coisa um ao outro», desvendou por último. Cacioli, um dos craques do futebol português dos anos 90. Um carequinha inesquecível.