Inês Maia e Marwin Bolz querem mostrar outra cara: «O SC Braga não tem medo de lutar por títulos»
/ Futebol
15-09-2026 20:20
O quinto lugar da última {EDITION_LINK|218335|Liga BPI} ficou abaixo das ambições do SC Braga. A resposta começou com uma goleada, passa por uma equipa «com fome» e terá no FC Porto o primeiro grande teste. No Media Day promovido pela FPF, {PLAYER_LINK|411696|Inês Maia} e {COACH_LINK|70744|Marwin Bolz} assumiram ao zerozero que as arsenalistas querem voltar a discutir troféus. A margem para interpretações é curta. Quando {PLAYER_LINK|411696|Inês Maia} assegura que o SC Braga «é sempre candidato ao título» e {COACH_LINK|70744|Marwin Bolz} estabelece como objetivo lutar «até ao fim por todos os títulos», jogadora e treinador colocam publicamente a fasquia para a nova temporada. *com David Albano e Bernardo Castro O discurso é ambicioso, mas nasce também de uma insatisfação. O conjunto minhoto terminou a última edição da {EDITION_LINK|218335|Liga BPI} no quinto lugar, com 24 pontos em 18 jornadas. Na Taça de Portugal, a caminhada terminou nas meias-finais, diante do Benfica, com uma derrota por 5-1 no conjunto das duas mãos. Foi uma temporada de crescimento sob o comando de {COACH_LINK|70744|Marwin Bolz}, mas sem a consistência necessária para aproximar o SC Braga dos lugares desejados. «Em alguns momentos faltou-nos consistência e também alguma sorte. Nos momentos críticos da época, acabámos por não conseguir consolidar os resultados e a tabela classificativa mostrou isso», reconheceu {PLAYER_LINK|411696|Inês Maia}, em conversa com o zerozero. No segundo ano do treinador alemão em Portugal, a palavra de ordem é mudança. «Nesta época queremos mostrar uma cara diferente. Queremos mostrar que temos uma equipa com muita qualidade, intensidade e qualidade com bola. Temos uma equipa jovem, mas também com muita fome de jogar», projetou {COACH_LINK|70744|Marwin Bolz}. Um regresso com outras ferramentas Para Inês Maia, esta será a primeira temporada completa desde o regresso a uma casa que conhece bem. A jogadora de 27 anos voltou ao SC Braga em janeiro de 2026, depois de uma passagem pelo FC Famalicão e de duas épocas e meia ao serviço do Besiktas, na Turquia. Na segunda metade da última época, somou 13 encontros pelas arsenalistas, oito dos quais no campeonato. Mais do que os números, porém, a internacional jovem portuguesa acredita ter regressado com outras soluções para oferecer à equipa. {EPOCA|DIR|JOG|411696|0|0|0|0|0} «Aprendi a ser uma jogadora diferente, porque conheci outro tipo de jogo e outras realidades. Regresso com mais valências e munida de características que não tinha quando saí de Portugal», explicou. O reencontro permitiu-lhe também medir a evolução do próprio clube. Inês encontrou um SC Braga diferente daquele que havia deixado em 2022, sobretudo ao nível das infraestruturas e do acompanhamento proporcionado às atletas. «Sempre fomos uma equipa com boas condições de trabalho, mas agora são incomparáveis. As infraestruturas e o acompanhamento diário permitem-nos trabalhar para a excelência e isso tem-se traduzido num aumento da qualidade.» O SC Braga mudou, mas há características que, segundo a jogadora, permanecem intactas. Entre elas está a capacidade de integrar quem chega. As novas jogadoras já passaram, de resto, pelo tradicional jantar de boas-vindas, que incluiu algumas atuações perante as atletas mais antigas. «Temos um grupo extremamente forte e unido. Recebemos muito bem as novas jogadoras e tentamos transmitir-lhes os valores que caracterizam o SC Braga. Tem sido fácil integrarem-se e sentirem-se parte da equipa», garantiu. Cinco golos e uma primeira declaração A primeira resposta competitiva confirmou algumas das ideias deixadas por Inês Maia e Marwin Bolz. No arranque da {EDITION_LINK|218335|Liga BPI}, o SC Braga venceu o Marítimo por 5-0, no {STADIUM_LINK|26578|Estádio Amélia Morais}. Malu Schmidt inaugurou o marcador antes do intervalo e bisou de grande penalidade na segunda parte. {PLAYER_LINK|997861|Leah Lewis} também marcou por duas vezes, enquanto Inês Maia, lançada aos 71 minutos, fechou a contagem aos 87’, com um remate de longa distância. O resultado foi expressivo, mas a jogadora recusou a ideia de uma vitória simples. «Foi um jogo difícil, apesar do resultado. Tivemos muito trabalho, mas mostrámos a nossa imagem e aquilo que é o SC Braga desta época. Ainda há muitas coisas para evoluir, mas foi um bom início de campeonato.» Para Marwin Bolz, essa evolução começa no quotidiano. O técnico de 28 anos, que chegou ao clube em maio de 2025 com contrato até 2027, aponta o treino como o espaço decisivo para elevar a equipa. «Sou treinador e penso sempre que o treino é o mais importante. É onde podemos aumentar a intensidade e aprofundar o nosso modelo de jogo. Essa é a base para crescermos e nos aproximarmos dos clubes que terminaram acima de nós na última época.» Ainda assim, Bolz não pretende construir o novo SC Braga por comparação permanente com Benfica, Sporting ou Torreense. «Os processos nos clubes e nas equipas não são lineares. O nosso processo é claramente diferente do das outras equipas. Só posso falar do nosso e considero que, desde a última época até agora, tem sido muito positivo. O objetivo é claramente melhorar.» Falar português para chegar mais perto O crescimento do próprio treinador também faz parte desse processo. Marwin Bolz tem procurado comunicar cada vez mais em português, opção que encara não apenas como uma ferramenta profissional, mas como um gesto de proximidade para com o grupo e o país que o recebeu. «Aprender e falar português foi muito importante, porque facilita a comunicação com as jogadoras. Também quis demonstrar proximidade e respeito pela cultura portuguesa», explicou. {EPOCA|DIR|TRE|70744|0|0|0|0|0} Para o alemão, a adaptação cultural não pode ser separada do trabalho desenvolvido no relvado. «Não se pode separar o que acontece dentro e fora do campo, porque a cultura também forma a maneira como se joga. A cultura portuguesa é diferente da alemã e o futebol português tem coisas muito bonitas.» É também desse contacto que nasce a convicção de que o futebol feminino português continuará a crescer. A entrada do FC Porto na Liga BPI é vista como mais um passo nesse caminho. «É importante e positivo que o FC Porto esteja presente, pelas infraestruturas, pelos adeptos e pela competitividade. É mais um grande clube no campeonato», considerou. O Dragão como primeiro grande teste A chegada portista acrescenta uma nova candidatura e oferece ao SC Braga um teste imediato. Depois da goleada ao Marítimo, as arsenalistas visitam o FC Porto na segunda jornada, na segunda-feira, 21 de setembro, às 20h30, segundo o calendário oficial dos dragões. As duas equipas entram no encontro depois de vencerem na jornada inaugural: o SC Braga goleou por 5-0 e o FC Porto estreou-se no principal escalão com um triunfo por 3-1 no terreno do Valadares Gaia. Será, por isso, uma primeira oportunidade para perceber até onde pode chegar a «cara diferente» anunciada por Bolz. «Temos muita curiosidade em relação a esse jogo. O FC Porto tem qualidade, mas o foco está em nós. Nesta Liga, com dez equipas, todas têm qualidade e todos os adversários merecem respeito», salientou o treinador. Inês Maia é ainda mais taxativa: a entrada de um novo grande não reduz a responsabilidade arsenalista. «O FC Porto vem acrescentar competitividade, mas em nada retira o mérito ou a projeção que o SC Braga tem no campeonato. O SC Braga é sempre candidato ao título, independentemente dos adversários que existem na Liga.» O passado recente recomenda prudência; o discurso aponta para cima. Entre ambos está um plantel renovado, um treinador mais adaptado ao futebol português e uma jogadora que voltou da Turquia com novas ferramentas. Depois de um quinto lugar e de uma época marcada por oscilações, o SC Braga quer recuperar terreno sem esconder o destino pretendido. «Não temos medo de assumir que temos um grupo capaz de lutar por títulos», afirmou Inês. «Tudo aquilo que já foi feito é motivo de orgulho, mas é passado. Queremos construir um presente e um futuro ganhadores para o clube, com novos títulos e novas conquistas.»
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